jul 292018

Tradução do artigo em francês escrito por Thibault Franceschet

Segundo os pesquisadores, as pessoas que falam muitas línguas teriam um comportamento e uma personalidade diferente de acordo com o idioma que elas utilizam.
Se você é bilíngue, talvez você já observou: você pode se sentir diferente, dependendo da língua que utiliza. Isso foi provado cientificamente.

Muitos estudos se debruçaram sobre a questão, lembra um recente artigo do site americano Quartz. A primeira data de 2006, conduzida por Nairan Ramirez-Esparza, professor de Psicologia Social da Universidade de Connecticut nos Estados Unidos.

Os pesquisadores da universidade aplicaram testes de personalidade em inglês e espanhol nas mesmas pessoas. Os testes mediam os principais traços da personalidade como a abertura, a gentileza, a consciência e o fato de ser extrovertido ou não.

Os pesquisadores pediram às pessoas testadas de escreverem uma descrição da personalidade. Eles perceberam que elas não contaram as mesmas coisas e notaram uma mudança de acordo com a língua.

Em espanhol, elas falaram de suas famílias, amigos e lazeres. Já em inglês, elas colocaram em destaque os estudos e as atividades do cotidiano.
Os pesquisadores relacionaram com o fato da sociedade americana ser mais individualista e dar um lugar mais importante a realização pessoal. Já a cultura hispânica é o inverso, o espírito coletivo é mais presente.

O artigo de Quartz cita também o exemplo de Tony, anglófono e hispanófono, antes de aprender o francês. Ele relata que se sente elegante e sofisticado quando fala a língua de Molière. O sentimento corresponde à imagem bastante embelezada que ele faz dos franceses percebidos como elegantes, inteligentes e admiráveis.

De maneira geral, os pesquisadores pontuaram que a língua não está separada da cultura a qual ela pertence. Isso se observa particularmente na casa de pessoas que se desenvolveram entre duas línguas e duas culturas de origem.

Depois de uma rápida sondagem na redação, alguns se reconhecem nessas conclusões, como Clémence, que tem família na América do Sul e fala espanhol quando vai visitá-los: “Eu me sinto mais extrovertida em espanhol que em francês, sem dúvida porque eu falo frequentemente espanhol num contexto de férias e encontros”. Encontramos aqui o lado coletivo da cultura hispânica.
Mesmo se ela aprendeu na escola, ela confirma: “os espanhóis e os sul americanos são frequentemente mais sociáveis e é o que pode me influenciar”, acrescenta.

Déborah que fala inglês, espanhol e um pouco de alemão, é mais equilibrada: “Eu não acho que minha personalidade muda, mas tem sentimentos que eu expresso melhor numa cultura do que em outra. Por outro lado, eu tenho verdadeiramente uma voz diferente de acordo com a língua que eu falo”. Pode ser também uma questão de gesticulação: temos a tendência de imitar a musicalidade de uma língua quando falamos.

. Tudo depende do contexto de aprendizagem

Pode ser que o fato de observarmos as reações dos outros quando falamos provoque uma adaptação do nosso comportamento em função disso, o que pode ser diferente de acordo com a língua.
Tudo depende também do contexto de aprendizagem da língua. Se fizermos uma imersão no país onde a língua é falada, nos impregnamos mais facilmente da cultura que vai junto, o que poderá levar a adoção de uma personalidade diferente.
No entanto, segundo os pesquisadores, se aprendermos durante um curso no país de origem será menos visível, pois somente o professor e o que ele nos conta poderá dar elementos sobre a cultura do país em questão, mesmo se às vezes são ideias recebidas e estereotipadas.

Thibault Franceschet


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