fev 272019
Mudar: é possível?

Quando um ano começa, fazemos vários planos, e obviamente isso inclui mudar. Seja mudar de profissão, de alimentação ou de um aspecto psicológico que nos incomoda. Estamos sempre nos colocando “metas” que não são fáceis de alcançar. 

As primeiras perguntas a se fazer é: O que quero mudar? Por que quero mudar? O que está me incomodado? O que me impede de realizar o que desejo? Pode parecer óbvio, mas nossos objetivos precisam ficar claros para ocorrer um processo de mudança e reflexão interna. 

Eu escuto frequentemente dos e das pacientes que atendo a frase: “eu sou assim, então não consigo mudar”. Será que somos estáticos? Não temos o que fazer senão aceitar nossa “personalidade”? 

É certo que às vezes não basta somente querer, há outros fatores envolvidos que precisam ser investigados e trabalhados dentro de uma psicoterapia. Possuímos conflitos inconscientes que nos impedem de mudar, há uma formação de compromisso com a nossa forma de ser e estar no mundo. 

Podemos ter inibições e bloqueios que se manifestam para impedir nossos desejos. Por que isso acontece? Possivelmente porque desejo mudar, mas tenho muito medo. O que pode acontecer se eu mudar? Será que os outros (normas exteriores /sociais) vão me aceitar e me reconhecer? Será que quero mudar mesmo ou preciso entrar num certo padrão social? 

Freud evidenciou esse paradoxo do ser humano. Nosso inconsciente faz obstáculo aos nossos desejos conscientes. 
O inconsciente é definido por conteúdos psíquicos que não temos acesso, podendo ser desejos, memórias e emoções dolorosas. Explorar o inconsciente é fundamental para compreendermos nossos comportamentos, esquecimentos, sonhos e contradições. 

Nesse sentido, para mudar precisamos parar e escutar nosso inconsciente, o que é um grande desafio, pois normalmente ele coloca algo que não queremos olhar e aprofundar internamente. É necessário explorar esses aspectos desconhecidos. Se não olharmos, não conseguiremos mudar.

Mudar significa se conhecer. Qual é sua história? Seus desejos? Seus sonhos?. Ir a fundo em si mesmo para procurar exprimir partes internas que não assumimos. 

Essa frase do Fernando Teixeira de Andrade nos faz refletir sobre isso: 
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.


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