abr 122021
Psicologia da Imigração 

Leitura imprescindível para quem trabalha com estrangeiros. Os autores abordam vários pontos sobre o processo de imigração. Eles relacionam a imigração com o processo de adoção. 
“A imigração é uma operação de adoção ao inverso. Nós não vamos ao exterior à procura de uma criança para adotar, é o estrangeiro que vem na nossa casa para ser adotado pelo país. Mas para que ocorra a adoção, é preciso que ela seja dupla: os pais adotem a criança e a criança os adote no mesmo título.” (contracapa)
Não entramos impunemente numa cultura ou nova língua. Transformações acontecem no corpo, nas relações e igualmente na língua materna. 
“Quando vivemos muitos anos numa outra língua, diferente da língua materna, a nova língua, praticada muitos anos, afeta o corpo, assim como a pronunciação, a pontuação e a musicalidade na primeira língua” (p.69)  
A experiência clínica revela claramente esse processo. Há uma mistura de idiomas, nem sempre é fácil expressar na língua materna o que se aprende numa outra língua. Às vezes não é possível traduzir. 
A língua estrangeira pode ter uma função na dinâmica psíquica. Por intermédio de outra língua, o sujeito pode se permitir dizer aquilo que se sente “impedido” de falar na língua materna, ou seja, a língua estrangeira podendo ser um facilitador no trabalho de escuta do inconsciente. 
O estrangeiro é inevitavelmente convocado a um deslocamento subjetivo. Mesmo que ele retorne à terra de origem, as marcas psíquicas desse movimento são irreversíveis. 
Finalizando com Melman e Hamad: “O estrangeiro que as fronteiras geográficas, religiosas, ou étnicas mantêm no exterior nos serve de álibi, porque ele esconde um outro. Meu primeiro estrangeiro é minha imagem” (p.140) 
– Psicologia da Imigração, Nazir Hamad e Charles Melman (2019) 


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